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Edge of Tomorrow(2014)

Há 3 anos | Ação, Aventura, Sci-Fi, | 1h53min

de Doug Liman com Tom Cruise, Emily Bunt, Bill Paxton, Brendan Gleeson, Jonas Armstrong e Kick Gurry


Protagonizado pelo excelente Tom Cruise, chega até nós Edge of Tomorrow, de Doug Liman. Pessoalmente, não tenho Liman como um dos meus realizadores favoritos mas confesso que tenho sempre interesse nos seus filmes. Para quem anda mais distraído, Doug Liman dirigiu filmes como Mr. & Mrs. Smith (2005), Fair Game (2010) ou, mais recentemente, The Wall (2017) e American Made (2017) – este último, curiosamente, também conta com Tom Cruise.

Edge of Tomorrow conta-nos a história do Major William “Bill” Cage (Tom Cruise) que recebe a notícia, proveniente do General Birmingham (Brendan Gleeson), de que terá de lutar na frente de combate com o restante exército, numa guerra contra alienígenas que invadiram a Terra. O grande problema de Cage, e como o mesmo explica logo nos primeiros diálogos, ele não é um soldado. Chegou ao patamar a que chegou precisamente para não ter de lutar. Para evitar esta ‘sentença’, Cage tenta chantagear o General que parece aceitar mas, à saída, é preso e enviado para a recruta no dia de véspera à grande batalha. Esta é a real introdução deste filme a nível narrativo. A grande diferença é que Cage irá repetir o mesmo dia, vezes e vezes sem conta, sempre que morrer em batalha.

O filme ganha, desde logo, com este aspeto. É uma técnica que ou resulta ou não resulta. E, neste caso, resultou e de que maneira. Edge of Tomorrow poderia, facilmente, ter caído na monotonia e na exaustiva repetição mas conseguiu evitar tudo isso, apresentando um guião vasto em ideias e personagens.

Nós, enquanto audiência, somos o protagonista. E porque é que digo isto? Porque caímos de paraquedas naquela recruta com Cage, sem saber muito bem o que se passa e vamos repetindo o dia várias vezes e, a cada vez que o repetimos, já sabemos novas informações que mais nenhuma personagem sabe. Melhor que tudo isso é o facto de Cage, a certa altura do filme, perceber mais que nós mas não nos dizer. Nós vemos cenas a acontecer pela primeira vez mas a personagem de Tom Cruise já sabe aqueles passos de cor. Portanto, o filme, a dada altura, começa a brincar com a audiência também. Nós pensamos que sabemos onde andamos e, afinal, já não estamos no mesmo nível do nosso protagonista, mas sim das restantes personagens. E isto só é possível devido à ginástica existente no guião.

Isto irá fazer com que Cage comece a mudar as suas abordagens, mesmo sem que nós percebamos as razões. E isto completa o arco da personagem de Cruise de uma maneira muito agradável. Passamos de um Major sem qualquer tipo de coragem e repleto de medos, para um soldado de guerra mortífero que não vai descansar enquanto não alcançar o seu objetivo. E isto é bastante interessante porque, para todas as outras personagens, aquela é a primeira vez que estão a ver Cage. Mas, vendo bem, já tiveram centenas de vezes com ele mas reagem de maneira diferente a cada vez. Muito bom.



E isto traz-me aos restantes personagens. Rita Vrataski (Emily Bunt) tem um papel muito importante nesta história porque acaba por ser a guia de Cage nesta aventura; Sergeant Farrel (Bill Paxton) juntamente com o Pelotão J vêm enriquecer toda a história de uma forma muito dinâmica.

Para concluir, o filme tem um toque de comédia muito bom (e nos momentos certos) para fazer descontrair a audiência. Muitas vezes, uma comédia irónica vinda Cage para encarar as suas consequências, no início do filme. E, como disse antes, como nós crescemos nesta aventura juntamente com o nosso protagonista, vamos aceitando a sua vontade e, consequentemente, a ausência de comédia. Ah, e tenho de confessar que adorei o plano final do filme. Lembro-me de passar pelo clímax e começar a pensar em como acabaria e é realmente o que imaginei. Faz todo o sentido ainda que seja um dos planos mais simples de sempre. Muitas vezes, quanto mais simples e mais dentro da história, melhor.

Estou algo receoso para a sequela que foi anunciada no passado mês de outubro e que ainda não tem data de estreia porque o filme não pede, diretamente, uma sequência. O filme terá o nome Live, Die, Repeat and Repeat e, segundo Doug Liman que voltará a estar à frente do projeto, as filmagens acontecerão assim que se chegar a um consenso nas agendas de Tom Cruise, Emily Bunt e, do próprio, Doug Liman.

Edge of Tomorrow é um belo filme para ver a qualquer altura e com a companhia que se quiser. Um filme que explora a ideia da repetição, sem realmente repetir, com um papel de Tom Cruise incrivelmente bom e que nos faz querer recordar toda a sua filmografia.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   8
 Sara Ló:   7
 Pedro Quintão:   8
 Rafael Félix:   8