Inscreve-te e tem vantagens!

Happy Death Day(2017)

Há 3 anos | Terror, Mistério, Comédia | 1h37min

de Christopher Landon, com Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken e Laura Clifton


Desavergonhadamente apoiado na premissa de filmes como Groundhog Day (1993), Source Code (2011) e, mais recentemente, Before I Fall (2017), Happy Death Day refresca o conceito ao explorá-lo como um energético slasher dos anos 90 e do início dos anos 2000, que eram essencialmente produzidos para adolescentes.

Produzido pela Blumhouse Productions, o filme segue a fórmula de baixo orçamento que costuma conduzir os seus projetos a bom porto, como Paranormal Activity (2007) ou Get Out (2017). Isto porque a empresa não sacrifica qualidade e engenho, na maioria dos casos. Conseguimos sentir o amor que os envolvidos têm pelo terror, género no qual se especializam.

Neste sentido, o realizador Christopher Landon (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse (2015)) cumpre um dos seus melhores trabalhos de realização até então, mas é a atriz Jessica Rothe que verdadeiramente brilha em Happy Death Day, conseguindo a sua performance revelação.

Jessica Rothe interpreta Tree Gelbman, uma rapariga insensível e desagradável dentro do espírito de Mean Girls (2004). Depois de ser morta por um atacante com uma máscara de bebé no dia do seu aniversário, volta a acordar exatamente no mesmo dia, repetidamente, sofrendo o destino fatal de diferentes formas a cada dia. Colocando algumas ideias lógicas de parte, para evitar morrer nesse dia (a história seria curta assim), Tree investe o seu tempo a tentar decifrar a identidade do seu atacante.



No seu núcleo, o filme é tanto uma história de redenção da sua protagonista como um mistério curioso. Seguimos Tree na sua jornada e no percurso a atriz tem a oportunidade de demonstrar uma grande amplitude de emoções. É credível quando é maldosa, engraçada, desesperada ou até mesmo simpática. Foi entusiasmante observar tantas nuances na sua atuação. As personagens secundárias parecem retiradas de bandas desenhadas, sendo, de forma geral, unidimensionais. Israel Broussard, que interpreta Carter Davis, tem um desempenho honesto e funciona bem enquanto possível interesse amoroso de Tree.

Landon e o argumentista Scott Lobdell oferecem uma mistura de momentos hilariantes com outros menos bem julgados. Mas conseguem suster o interesse durante toda a sua duração e até pregar algumas surpresas. No guião, estão becos sem saída (como o facto de Tree sentir o corpo diferente depois de cada morte), algumas incoerências, em retrospetiva, e até mesmo alguns clichés do género, mas a sua simplicidade e frontalidade tornam-no prestável e longe de ser enfadonho.

Se estás à procura de sangue e carnificina, este não é o slasher ideal. Nem é particularmente assustador. Consegue inquietar em algumas cenas devido ao blocking e à iluminação, que são bem executados, mas sempre com o entretenimento como objetivo.

Em última instância, Happy Death Day é um esforço agradável que vai intrigar os fãs do género devido à atuação multifacetada de Rothe e às técnicas de filmagem utilizadas. Mais um projeto de sucesso da Blumhouse.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Sara Ló:   6
 Rafaela Teixeira:   6
 Pedro Quintão:   6
 Margarida Nabais:   6
 Rafaela Boita:   6