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Extraction(2020)

Há 5 meses | Ação, | 1h56min

de Sam Hargrave, com Chris Hemsworth, Rudhraksh Jaiswal, Randeep Hooda, Golshifteh Farahani e David Harbour


Extraction, o novo filme da Netflix tem sido acompanhado por uma boa campanha de marketing: “produzido pelos irmãos Russo, os visionários realizadores de Avengers: Endgame”. Chris Hemsworth é o protagonista e, ainda, produtor da longa-metragem. A realização coube ao estreante Sam Hargrave – mas já lá vamos.

O que nos contra o filme?

Tyler Rake (Chris Hemsworth) é um mercenário com um doloroso passado, que não tem nada a perder na sua vida. O que lhe dá uma grande vantagem sobre os outros, não possui o medo de morrer. Tyler vê-se encarregue de uma nova missão no meio do Bangladesh, para um poderoso chefe da máfia, que se encontra atualmente preso. A missão é muito simples: salvar o seu filho Ovi (Rudhrasksh Jaiswal) que foi sequestrado por um gangue concorrente. Polícia corrompida, andar pelos subúrbios onde todos os traficantes de drogas não possuem códigos morais, a missão poderá ser mais complicada do que prevista.

Bem, o filme é exatamente aquilo que promete: ação non-stop durante 2h. Como referi acima, é a estreia do realizador Sam Hargrave – conhecido no mercado de trabalho por ser um stunt e fight coordinator de inúmeros filmes da Marvel Cinematic Universe (entre outros filmes de ação). Ou seja, todas as cenas de ação: coreografias de combates, perseguições e tiroteios estão perfeitamente filmadas. Tal como nos filmes John Wick (2014-) em que são David Leitch e Chad Stahelski antigos stunts que se converteram em realizadores, Hargrave capta a essência pura do que são boas cenas de ação. Porque Extraction é precisamente isso, um filme de ação cheio de violência.

Chris Hemsworth deu corpo e alma à sua personagem de Tyler Rake. Embora seja um protagonista com muito pouco sumo, e ser um estereótipo cliché: o mercenário com uma vida trágica, que sabe lutar melhor que tudo e todos, sentimos um grande empenho do ator australiano. Pouco antes do meio do filme, há um enorme plano-sequência muito impressionante, em que vemos todas as coreografias pelo qual Hemsworth se dedicou.

Passado a realização, todas as cenas de ação e o ritmo da obra, pouco mais são os pontos positivos. Os antagonistas não têm qualquer carisma. Não temos nenhum background sobre ninguém. David Harbour tem uma breve passagem. A química entre Hemsworth e o jovem Jaiswal é perto do nulo e não nos sentimos envolvidos perante nenhuma das personagens em torno de Tyler Rake. Eu sei que não é o objetivo do filme, mas era giro haver “mais qualquer coisa” que lhe dê um toque mais emocional. Porque, por muito que tentem abordar cenas trágicas, não temos empatia por ninguém e não resulta.

Como podem ter percebido, Extraction é um puro filme de ação, recheado com grandes coreografias, violento, intenso e ainda surpreendente. Não é memorável e falta-lhe alguma alma, mas chega para entreter fãs do género. Se gostarem de filmes na onda de John Wick ou The Raid (2011) serão servidos. Ainda me questiono sobre o bom impacto dos stunts em futuras realizações de filmes de ação. Mas isso é outro debate.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Diana Neves:   6
 Raquel Lopes:   6
 Pedro Horta:   7