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Aladdin(2019)

Há um ano | Aventura, Comédia, Musical, | 2h10min

de Guy Ritchie, com Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott e Marwan Kenzari


Realizado por Guy Ritchie (Snatch – 2000; Swept Away – 2002), Aladdin é a segunda adaptação live-action de um clássico da Disney em 2019, a primeira foi o belíssimo Dumbo (2019) e a próxima será o grandioso The Lion King (2019). Tudo isto leva-nos a debater se esta incrível produtora passou a reciclar sonhos em vez de os criar – se não me engano, Frozen (2013) e Zootopia (2016) foram os últimos grandes filmes originais da equipa do rato Mickey – mas bem, não pretendo divagar muito e por isso irei concentrar-me no objetivo principal desta crítica. Será que após tanta polémica em torno desta produção, Aladdin consegue assumir-se bom?

 

Para quem não conhece, nesta aventura acompanhamos Aladdin (Mena Massoud), um jovem ladrão que um dia se apaixona por Jasmine (Naomi Scott), uma bela princesa de um reino no Médio Oriente. Para a conquistar, ele aceita ajudar o cínico e ganancioso Jafar (Marwan Kenzari) a resgatar uma lâmpada mágica de uma gruta, porém Aladdin deixa-se fascinar pelos poderes do génio da lâmpada (Will Smith), que o tornam num príncipe.

 

Presumo que o enredo não é desconhecido para a maioria do público, principalmente para aqueles que nasceram no final da década de 80 ou início da década de 90. À exceção de um ou de dois conceitos, esta adaptação não teve necessidade de modificar a estrutura base da narrativa, como Dumbo (2019) fez. Tudo decorre dentro de um bom ritmo, com um agradável equilíbrio entre as cenas de aventura, os momentos de romance e os números musicais (particularmente detestei os momentos em que a ação era interrompida por intervenções musicais, mas sei que uma grande parte do público-alvo as aprecia).

 

Se o enredo se afirmou bom, o mesmo não posso assegurar sobre a qualidade técnica. Os efeitos visuais são bons, até mesmo o design do génio não se revela péssimo como nos trailers iniciais, contudo todos sabemos que os efeitos visuais magníficos não são suficientes para salvarem um filme - se fossem, Transformers (2007-2018) seria a opus magnum da sétima arte – e quanto a um panorama negativo, esta obra peca em elementos básicos, até mesmo para um projeto de médio orçamento.

 

O guarda-roupa é absolutamente terrível! Atrevo-me a escrever que à exceção de 4 ou 5 figurinos, tudo parece cosplay, os tecidos e o design aparentam ser os mesmos que podemos encontrar em qualquer loja de acessórios de carnaval. A edição é razoável, mas comete a possível maior atrocidade que assisti na minha vida. Refiro-me concretamente a um momento inicial, na qual o protagonista e Jasmine estão a ser perseguidos, numa cena que parece triplicar a velocidade de reprodução, acabando por aparentar que o filme está a decorrer em fast motion. Por sua vez, a fotografia e os cenários estão belíssimos, fico feliz por saber que a Disney nunca nos desiludirá a nível visual.

 

Relativamente ao elenco, sinto-me com sentimentos mistos. Will Smith (I, Robot – 2004; Hitch – 2005) surpreendeu-me ao roubar literalmente todas as cenas graças à sua representação carismática, provavelmente tornou-se num dos melhores personagens que assisti recentemente numa produção do mesmo estúdio. Mena Massoud (Let’s Rap – 2015; Ordinary Days – 2017) e a belíssima Naomi Scott (The 33 – 2015; Power Rangers – 2017) demonstram-se competentes, mas não conseguem imortalizar o Aladdin e a Jasmine, senti que lhes faltou algo, talvez um pouco mais de carisma e empatia. Quanto a Marwan Kenzari distingue-se por ser um dos maiores erros de casting de toda a história da Disney, o ator tenta dar a pele a uma versão atraente do Jafar, porém acaba por se reduzir a uma interpretação patética, totalmente inexpressiva e possuidora de um character development vergonhoso.

 

Aladdin não é a melhor adaptação live-action da Disney, possui alguns problemas associados ao casting e essencialmente ao guarda-roupa que lhe retira um pouco da magia. Mesmo assim, considero-o totalmente longe de se estabelecer como um produto fraco, pois possui diversas qualidades, como o desempenho de Will Smith, a fotografia, os cenários e sobretudo uma bela história sobre ganância, ambição e humildade. Poderia ser um clássico, mas acaba por se situar aquém da animação de 1992.


Pedro Quintão
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   5
 Rafael Félix:   4
 Rafaela Boita:   6
 Diana Neves:   6